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Canadá Sem Limites

27/10/2011

Canadá Sem Limites, de Calgary

Quando estava concluindo sua graduação em Informática, Robson Cunha foi assistir a uma palestra sobre a imigração em Quebec e achou a oportunidade única.

“Nunca passou pela minha cabeça sair do Brasil mas quando vi que minha área profissional estava em alta, decidi vir”, diz o recifense que passou então a pôr a emigração em seus planos desde aquele dia e chegou ao Canadá em 2008.

Seu destino inicial era Montreal, mas em menos de um mês se mudaria para Calgary – cidade onde o irmão já morava e as oportunidades profissionais pareciam mais promissoras.

“Pensei que seria mais simples mas demorei quase quatro meses para conseguir o primeiro emprego, principalmente por conta do idioma. Se mesmo em português é preciso mostrar seu melhor na hora da entrevista, imagine em um idioma que você não domina.”

Em uma viagem de turismo pelo novo país, Robson conheceu a carioca Cristiane, que já morava em Vancouver – cidade onde havia ido estudar inglês e acabou ficando. Há dois anos estão casados e formam um casal de imigrantes com um perfil diferente dos que já saem juntos do Brasil.

“Não viemos para ganhar dinheiro mas em busca de um lugar tranqüilo para viver e, agora, para constituir família”, afirma.

Pouco antes de sair do Brasil, Robson criou o Canadá Sem Limites.

“Eu era moderador de um grupo chamado Encontro Recife-Québec e comecei a gostar de poder ajudar as pessoas. Como meu irmão já morava no Canadá, eu era privilegiado de ter informações mais seguras”, conta. “Então decidi criar o blog para compartilhar minha experiência e ajudar os outros.”

No início, Robson escrevia uma espécie de passo-a-passo para quem quisesse emigrar. Com o tempo, suas postagens refletiam mais o dia-a-dia do imigrante: como dirigir ou como economizar no Canadá, por exemplo. Hoje, admite que as postagens tenderam a diminuir conforme diminuiu também o tempo disponível para se dedicar ao blog.

Mas mesmo com a menor freqüência de postagens, Robson ainda alimenta seu blog certo de que a ajuda ainda chega aos que querem emigrar.

Ao lembrar de quando ainda estava em Recife, ele comenta como poderia ser difícil conseguir uma pequena ajuda de quem já estava no Canadá: “Eu tentava contato com muitas pessoas através de outros blogs, mas pouquíssimos respondiam. Tem muita gente que chega aqui e muda completamente. Não querem mais saber do Brasil nem de brasileiros.”

Da experiência canadense, afirma que o que mais tem gostado é a cultura da confiança nas pessoas. “O metrô não é fechado, não tem catraca. Eles confiam que você vai comprar o bilhete”, surpreende-se. E ainda com o inverso rigoroso, suporta o frio compensando no lado bom. “Aqui é um lugar onde cada pessoa tem o mesmo direito que o seu vizinho.”

Do Brasil, diz sentir muita falta da família, dos amigos e do clima, mas vê a imigração nos dias de hoje facilitada pelas maravilhas da vida moderna.

“A internet é a melhor amiga do imigrante”, garante.

Aventura Canadense

15/10/2011

Aventura Canadense, de Edmonton

Silvia Teles e Luciano Jordão se conheceram no curso de Informática da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, após a graduação, moraram em Brasília por dez anos.

Quando Luciano demonstrou sua vontade de emigrar para o Canadá, Silvia reagiu com um “Deus me livre!” – o frio lhe desanimava. Mas ao começar a pesquisar sobre o assunto, ela logo comprou a ideia. “Aí eu não tinha mais como desistir”, revela o marido.

Em 2007, o casal chegou a Edmonton (província de Alberta) com um filho de um ano e cinco meses; o segundo nasceria dali a dois anos. A cidade foi escolhida principalmente por conta da presença de amigos da UFPB que já estavam por lá – amigos com filhos.

Uma semana após o desembarque, Luciano já estava empregado. Silvia ficou ainda um tempo procurando creche e casa, mas pouco tempo após começar a procurar trabalho já estava no batente.

“O começo é muito complicado, pois ao chegar não temos trabalho, casa, carro, família, a comida é diferente, a língua não é a sua. Eu pensava ‘Meu Deus, o que a gente veio fazer aqui?’”, confessa a co-autora do blog Aventura Canadense, que divide os posts com o marido.

Lá é possível conferir as impressões de ambos sobre o mercado de trabalho para quem é da área de informática, sobre o sistema de saúde canadense e muitos outros tópicos relevantes a quem considera trocar um país pelo outro.

Ao enumerar as razões por ter entrado na blogsfera, além de mencionar a oportunidade de dar notícias para famílias e amigos, o casal conta que não achava nenhum blog de Edmonton durante as pesquisas sobre o local. “Daqui só sabíamos que era muito frio”, lembram.

Do tempo em que deram entrada no processo até a chegada ao Canadá, a pesquisa pela internet virou rotina para os dois.

“Os blogs são interessantes para ir acompanhando o progresso das pessoas que chegam. Quando voltávamos do trabalho a noite, íamos direto para a internet pesquisar sobre emprego, a cidade”, diz Silvia. “O que eu mais gostava era uma lista de discussão chamada Canada Immigration. Lá era possível ler todo o histórico das conversas e ter várias versões sobre um tema, diferentemente de um post onde uma pessoa dá só a visão dela.”

Dois anos após já estarem estabelecidos no Canadá, foram tirar férias no Brasil. Nesse período, Luciano foi chamado para um concurso público que havia prestado quando ainda estavam em Brasília.

Agilizaram então a volta ao país de origem. Primeiro iria Luciano. Silvia ficaria até o nascimento do segundo filho em solo canadense, o que lhe garantiria uma licença maternidade de um ano, e depois se juntaria ao marido. Chegaram a pôr a venda a casa onde moravam em Edmonton.

Mas quando assumiu o cargo no Ministério Público da União em Brasília, Luciano começou a reclamar da comida, do trânsito, do trabalho. Comparado ao Canadá, o Brasil já não parecia mais o mesmo.

Numa dessas suas idas e vindas para visitar a esposa, e após uma conversa séria sobre o destino da família, finalmente decidiram ficar.

“Ir embora não era tão fácil pois não tínhamos mais nada do que tínhamos antes no Brasil”, relata o analista de sistemas. “Conforme o tempo passa, as coisas vão ficando mais confortáveis.”

No final, Luciano conseguiu de volta o emprego que havia deixado para ir ao Brasil, e com um salário ainda melhor. “Quando cheguei aqui, percebi que não havia espaço para o improviso no Canadá, e não gostava disso. Hoje, já acho bom”, conclui Luciano, bem adaptado ao novo país.

Há pouco, a família entrou com um processo de cidadania canadense, que deve sair ainda este ano. Pelo visto, voltar para o Brasil agora só a passeio.

ReMiGaLu

03/06/2011

Remigalu, de Calgary

Ao se deparar com uma reportagem sobre brasileiros bem sucedidos no exterior, inclusive no Canadá, o potiguar Renato Barros perguntou à esposa o que ela achava da ideia.

“Topo!” – Era abril de 2006 e eles já haviam morado em diversas cidades brasileiras. A mudança para outra, ainda que fora do país, não assustava Mildred Davim. Nem mesmo a sua falta de domínio do inglês antes de chegarem com os dois filhos a Calgary, na provícia de Alberta, em novembro de 2007 – cerca de um ano e meio depois daquela leitura.

“O nosso processo foi diferente de muita gente. Não tinhamos um sonho. A ideia surgiu e eu acabei topando sem pensar muito”, revela a brasiliense que é, com o marido, co-autora do blog ReMiGaLu – o nome remete às iniciais do casal e seus filhos.

O blog estreiou após a compra das passagens, pouco antes do embarque, e foi criado para que o casal desse notícias às famílias. No entanto, como a maioria dos blogs do gênero, conquistou uma audiência cativa das pessoas que tinham em comum o interesse pela imigração no Canadá.

Dentre os tantos posts do ReMiGaLu, destacam-se “Para começar”, que conta bem o início de tudo, e “Saudade”, que chama a atenção pelo volume de comentários. “Dúvidas sobre Calgary” é um dos posts que mostram como o casal é atencioso com as perguntas dos leitores sobre a vida em Calgary.

Para se ter uma ideia de como ajudam no que podem, nos três anos e meio em que moram no Canadá, Renato e Mildred já abrigaram sete famílias de imigrantes brasileiros recém chegados. “Muitos nos falam que nunca fariam o mesmo, mas a gente acolhe como se fosse parte da nossa família”, conta Mildred que atualmente aguarda a oitava família que vai ajudar na chegada ao Canadá.

Renato e Mildred trabalham hoje no que querem, mas não viram nenhum problema em aceitar empregos de menor prestígio no início. Entre os trabalhos pelos quais passou, Mildred foi atendente de uma rede de cafés e trabalhou em uma escola para crianças, antes de se especializar em Design de Interiores na Universidade Mount Royal. Hoje ela atua como consultora na área.

Renato trabalhou nos primeiros meses como atendente de lanchonete e entregador de pizza. “O primeiro foi um erro, pois era um trabalho braçal full time e quando chegava em casa, não tinha energia para procurar um emprego onde queria. Mas após um mês e meio, fui entregar pizza. Aí foi ótimo, porque com um horário mais flexível tinha o dia livre para procurar um emprego na minha área”, conta ele, que hoje em dia trabalha como especialista em wireless em uma empresa canadense de telecomunicação.

Entre os motivos da saída do Brasil, o casal destaca a falta de uma cidadania plena. “A gente abria os jornais e era desgraça, corrupção, violência. Cada capa de Veja era mais um motivo para gente sair”, conta Renato.

Agora, completamente adaptados ao novo país onde escolheram criar os filhos – que se comunicam entre si em ingles, mas preservam a língua materna dentro de casa – não pensam mais em voltar para o Brasil, exceto para visitas. “Estive no Brasil este ano”, conclui Mildred, “e tive a certeza de que eu não volto mais”.