Colorida Vida / Destino: Canadá

14/08/2011

Destino: Canadá, de Vancouver

Em 2005, a carioca Ana Paula Calabresi e seu marido fizeram uma viagem a Vancouver. Encantaram-se tanto com o que viram que, na volta ao Brasil, resolveram pesquisar sobre o processo de imigração para o Canadá.

A ideia de proporcionar um futuro melhor para a filha de então dois anos lhes incentivou a pesquisar tudo o que podiam sobre o visto de residente permanente daquele país.

Um ano após terem dado entrada no processo de imigração já estavam com o visto nas mãos. A chegada em Vancouver, cidade onde estão há quatro anos e meio, foi definitiva. Deixaram a família, os amigos, a casa mobiliada e o país dispostos a não voltar mais.

“Foram quatro meses de pesquisa, arrumando os documentos, fazendo a prova do IELTS, preenchendo formulários”, lembra Ana Paula. “Nessa fase, descobri muitos blogs de imigrantes que já estavam no Canadá e achei a ideia super bacana. Resolvi criar um também para contar a nossa experiência”.

Como o universo dos blogs já lhe era familiar – ela trabalhava com desenvolvimento de sites no Brasil –, não demorou muito até criar os blogs Destino Canadá e Colorida Vida. Este último chama uma atenção especial pelo cuidado visual e está na ativa até hoje, como uma continuação natural do primeiro, que se dedicou exclusivamente ao processo de imigração do casal até agosto de 2007, seis meses depois de terem chegado ao Canadá.

Colorida Vida, de Vancouver

Sobre a diferença entre os dois blogs, ela explica: “No Colorida Vida escrevo sobre maternidade, o dia-a-dia no Canadá, curiosidades daqui, livros. No Destino Canadá, os posts mais comentados eram os que falavam de conquistas, como a chegada dos passaportes com os vistos ou quando conseguimos emprego, por exemplo”.

Um de seus posts do blog Colorida Vida relata os maiores desafios que enfrentaram no primeiro ano de imigração. Uma das maiores preocupações do casal foi conseguir o primeiro emprego:

“Eu demorei três meses pra conseguir um emprego. André [seu marido], quatro. Hoje parece pouco tempo. Mas quando se está só gastando e nada entrando na conta, você fica meio preocupado”, relata Ana Paula em um de seus posts. “Foram muitos momentos de choro, de angústia, de ansiedade. Fizemos cursinhos do governo sobre o mercado de trabalho daqui, mandamos diversos currículos e fizemos dezenas de entrevistas até a primeira porta ser aberta pra nós”.

A ideia de criar um blog para compartilhar sua experiência pessoal como imigrante brasileira no Canadá teve uma relação direta em como os blogs que lia na época da preparação, ainda no Brasil, lhe ajudava a se informar e a decidir pela imigração.

“Não é só entrar no site do Consulado canadense pra ver como é o processo”, conta a blogueira. “É saber de quem já passou por aquilo como é de verdade, as manhas, as dicas, os sentimentos, as frustrações. A gente gostava de ler sobre o dia-a-dia de quem já estava aqui, a parte de procurar emprego, as dicas do que fazer em entrevistas, etc. Toda essa experiência compartilhada na internet é valiosíssima pra quem está buscando informações sobre o processo de imigração”.

O exemplo de Ana Paula mostra também como a internet também ganha uma importância fundamental nos novos laços de amizades e nos grupos sociais que se desenvolvem entre os imigrantes de uma mesma nacionalidade dentro de um país onde todos são estrangeiros e, portanto, precisam estabelecer esses novos laços como parte da integração social.

“Todos os amigos que fizemos aqui são brasileiros e nos conhecemos através da internet”, revela. “Eu não tenho amizade com famílias que não sejam brasileiras ainda. É uma coisa que até quero, mas não tivemos a oportunidade”.

Hoje, Ana Paula, o marido e a filha estão no caminho de se tornarem cidadãos canadenses – o que deve acontecer já no próximo ano. “Quando a gente compara a vida que levava no Brasil e a que temos aqui não dá vontade de voltar”, confessa Ana Paula. Ao que tudo indica, o Canadá realmente lhes conquistou.

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ReMiGaLu

03/06/2011

Remigalu, de Calgary

Ao se deparar com uma reportagem sobre brasileiros bem sucedidos no exterior, inclusive no Canadá, o potiguar Renato Barros perguntou à esposa o que ela achava da ideia.

“Topo!” – Era abril de 2006 e eles já haviam morado em diversas cidades brasileiras. A mudança para outra, ainda que fora do país, não assustava Mildred Davim. Nem mesmo a sua falta de domínio do inglês antes de chegarem com os dois filhos a Calgary, na provícia de Alberta, em novembro de 2007 – cerca de um ano e meio depois daquela leitura.

“O nosso processo foi diferente de muita gente. Não tinhamos um sonho. A ideia surgiu e eu acabei topando sem pensar muito”, revela a brasiliense que é, com o marido, co-autora do blog ReMiGaLu – o nome remete às iniciais do casal e seus filhos.

O blog estreiou após a compra das passagens, pouco antes do embarque, e foi criado para que o casal desse notícias às famílias. No entanto, como a maioria dos blogs do gênero, conquistou uma audiência cativa das pessoas que tinham em comum o interesse pela imigração no Canadá.

Dentre os tantos posts do ReMiGaLu, destacam-se “Para começar”, que conta bem o início de tudo, e “Saudade”, que chama a atenção pelo volume de comentários. “Dúvidas sobre Calgary” é um dos posts que mostram como o casal é atencioso com as perguntas dos leitores sobre a vida em Calgary.

Para se ter uma ideia de como ajudam no que podem, nos três anos e meio em que moram no Canadá, Renato e Mildred já abrigaram sete famílias de imigrantes brasileiros recém chegados. “Muitos nos falam que nunca fariam o mesmo, mas a gente acolhe como se fosse parte da nossa família”, conta Mildred que atualmente aguarda a oitava família que vai ajudar na chegada ao Canadá.

Renato e Mildred trabalham hoje no que querem, mas não viram nenhum problema em aceitar empregos de menor prestígio no início. Entre os trabalhos pelos quais passou, Mildred foi atendente de uma rede de cafés e trabalhou em uma escola para crianças, antes de se especializar em Design de Interiores na Universidade Mount Royal. Hoje ela atua como consultora na área.

Renato trabalhou nos primeiros meses como atendente de lanchonete e entregador de pizza. “O primeiro foi um erro, pois era um trabalho braçal full time e quando chegava em casa, não tinha energia para procurar um emprego onde queria. Mas após um mês e meio, fui entregar pizza. Aí foi ótimo, porque com um horário mais flexível tinha o dia livre para procurar um emprego na minha área”, conta ele, que hoje em dia trabalha como especialista em wireless em uma empresa canadense de telecomunicação.

Entre os motivos da saída do Brasil, o casal destaca a falta de uma cidadania plena. “A gente abria os jornais e era desgraça, corrupção, violência. Cada capa de Veja era mais um motivo para gente sair”, conta Renato.

Agora, completamente adaptados ao novo país onde escolheram criar os filhos – que se comunicam entre si em ingles, mas preservam a língua materna dentro de casa – não pensam mais em voltar para o Brasil, exceto para visitas. “Estive no Brasil este ano”, conclui Mildred, “e tive a certeza de que eu não volto mais”.

There and Back Again

10/05/2011

There And Back, de Toronto

Foi quando esteve no Canadá em 1995, ainda com 15 anos, que Rossana Menezes pensou pela primeira vez em morar naquele país. Mas o sonho de adolescente só viraria realidade 15 anos depois, quando deixou o calor do Recife e desembarcou no inverno de Toronto. Para a sua surpresa, logo viu que aquele frio todo sobre o qual lia a respeito nos blogs antes de ir não lhe assustava tanto assim.

Três anos se passaram entre a decisão de ser uma imigrante no Canadá e seu desembarque em Pearson, em 2010. Foi a época em que Rossana coletava informações na internet sobre como seria o processo e organizava um grupo de 30 pessoas que tinham em comum interesse a possibilidade de imigrar para o Canadá. “As pessoas do grupo inicial já estão todas aqui no Canada. Mas foram entrando outros que deram continuidade. Hoje esse grupo tem 200 pessoas cadastradas”, conta Rossana.

Como sua ideia até pouco antes de deixar o Brasil era viver em Laval, uma cidade da região metropolitana de Montreal, Rossana começou a estudar francês oito meses antes de dar entrada no processo de imigração para Quebec. Mais sete meses e ela faria a entrevista em francês para obter o CSQ (Certificado de Seleção de Québec), documento que lhe abriria as portas para chegar à província francesa com status de residente permanente após ter o visto do governo federal.

No final, principalmente por conta da melhor situação econômica de Ontario em relação a Québec, Rossana decidiu ir para a província inglesa. “Com vinte dias no Canadá eu estava com um emprego, e seis meses depois já estava trabalhando na minha área”, lembra a jornalista que atualmente trabalha numa empresa inglesa em Toronto. “Chegar aqui e trabalhar direto na área, só acontece com profissional de TI ou Administração”.

O início de seu blog There And Back Again começou juntamente com as aulas de francês no início da preparação do processo. Nele, ela vem registrando seus passos rumo ao Canadá desde o início e sabe que, ao compartilhar informações sobre a imigração no Canadá, ajuda outras pessoas que passaram pela mesma situação que ela no início.

Apesar de ter começado o blog ainda no Brasil, Rossana afirma que não mudaria nenhum de seus posts mesmo após ter chegado por lá: “Pesquisei muito sobre o Canada antes de vir e sabia bem o que iria encontrar aqui e tudo saiu como eu planejei”.

Vale a pena dar uma olhada em posts como Are You Ready (sobre a pressão de deixar o país), Nova Pontuação – Processo Quebec (o título é autoexplicativo) e Uma Noite no Museu (sobre quando os imigrantes começam a entrar na rotina).

Assim como a maioria dos blogs de imigrantes brasileiros vivendo no Canadá, There And Back Again é recheado de dicas e informações que ajudam aqueles que pensam em ir morar no Canadá a ter uma boa ideia de como funciona a vida por lá.

Sobre os outros blogs de imigrantes, Rossana destaca a importância de filtrar o que se lê. “Eles podem ser extremamente úteis e podem destruir seus sonhos, pois alguns chegam aqui despreparados, não dão certo, se frustram e espalham pelos blogs suas experiências ruins, culpando o Canadá por isso. É preciso encontrar o meio termo e pescar as informações úteis para a sua caminhada.”

Já adaptada à realidade canadense, Rossana Menezes não quer mais voltar para o Brasil.

Desafio inicial deste metablog: a escolha dos blogs

10/04/2011

O desafio inicial da elaboração deste metablog é a quantidade de informação a respeito do processo de emigração para o Canadá. São centenas de blogs de imigrantes que retratam a nova vida no Canadá e cada um deles indica mais algumas dezenas através de links.

Alguns desses blogs serão aqui listados segundo as províncias onde moram seus autores – Alberta, British Columbia, Ontario e Québec são os destinos mais procurados pelos brasileiros, segundo o que apontam os próprios blogs de imigrantes.

Há uma gama de posts que contam a partir de experiências próprias questões relativas à educação, emprego, habitação, imigração, lazer e saúde. E tratar desses temas é o critério para que o blog seja elencado neste TCC entre os mais relevantes.

Projeto de TCC

26/03/2011

Em destaque, cada uma das províncias canadenses com suas principais cidades

Viver no Canadá é um Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) em Jornalismo realizado por Thiago Mattos, pela Faculdade Cásper Líbero.

Este metablog tem como objetivo analisar os blogs criados por imigrantes brasileiros que vivem no Canadá. Através deles, são discutidas questões essenciais para a inserção dos recém-chegados à nova sociedade. Educação, emprego, habitação, imigração e saúde e lazer são temas recorrentes.

Ao prover múltiplos olhares e informações mais acessíveis a quem sai do seu país de origem para viver em outro, a internet dá uma cara nova à questão da imigração. Tornou-se uma ferramenta de apoio, onde a messagem não é mais apenas passada de maneira vertical.

Agora é possível discutir, discordar, questionar. Surge uma nova maneira de se comunicar.

Viver no Canadá aborda a influência da internet e dos blogs na vida dos imigrantes do século XXI.