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New Home Canada

21/11/2011

New Home Canada, de Gatineau

Após terem vivido por dois anos em Ottawa, Adriane Jungues e Diego Costa cruzaram a fronteira da capital canadense e desde 2009 vivem em Gatineau, na província de Quebec.

O desejo do casal de Passo Fundo (RS) de imigrar para o Canadá começou com a vontade de Diego de fazer uma pós-graduação fora do Brasil; e a ideia de formar uma família em um país mais seguro veio consolidar a decisão.

Chegaram a considerar a Austrália como um possível destino, porém o processo de imigração mais trabalhoso e a necessidade de possuir mais fundos para emigrar ao distante país – outra razão que pesou – lhes fizeram optar pelo Canadá.

Em 2006, um ano antes de saírem de vez do Brasil e após uma viagem a Vancouver – onde inicialmente viveriam –, Adriane quis publicar um diário que havia feito a partir da experiência. Surgia então o New Home Canada, blog que dá conta da jornada do casal.

“A ideia era registrar nossa trajetória como uma memória eletrônica para no futuro podermos ler como um diário. Não pensava que seria escrito para outras pessoas”, conta Adriane, que é arquiteta e atualmente presta serviços como freelancer no Canadá.

No início, seu marido ainda a ajudava nas postagens. Mas hoje, especialmente por causa das demandas em seu trabalho, ele não tem mais tempo de postar.

Diego, que é da área de TI, trabalha com e-commerce e levou cerca de três meses para conseguir seu primeiro emprego; Adriane, mesmo sem ter validado o diploma em Arquitetura e Urbanismo, conseguiu seu primeiro emprego em um mês.

“Hoje temos grandes amigos aqui que conhecemos através do blog. São cinco casais com quem falamos semanalmente”, diz Adriane, reconhecendo o crescimento inesperado de seu diário virtual.

Em seu blog, o casal já escreveu sobre tudo: educação, emprego, habitação e, é claro, imigração.

Mas com o tempo, as percepções entre como a imigração era vista antes e depois da chegada mudaram.

“Antes tínhamos uma ideia mais colorida daqui. Ouvíamos muito que faltavam profissionais no Canadá, mas quando chegamos, vimos que também era um lugar competitivo e não tão fácil quanto parecia”, afirma a blogueira. “É preciso vir preparado e botar a mão na massa.”

Contudo, apesar de uma visão mais pragmática da realidade canadense, a hospitalidade e a educação dos canadenses ainda chamam a atenção de Adriane – “Eles dizem thank you e sorry para tudo”.

No mais, a arquiteta acabou de ter uma experiência que lhe permitiu avaliar bem o sistema de saúde canadense, do qual não tem do que reclamar.

Em setembro, tornou-se mãe e, além de ter recebido toda a atenção médica necessária, não precisou pagar nem pelo pré-natal, nem pelo parto – o que lhe deu uma grande satisfação.

Sem sentir falta de muita coisa no Brasil – exceto pela família, amigos, clima, praia e churrasco – o casal parece já acostumado à vida canadense.

“Nunca dizemos nunca”, conclui Adriane. “Mas não temos nenhum plano de voltar”.

Nicolando Por Aí

04/10/2011

Nicolando Por Aí

Por conta do trabalho, os geólogos Rafael Gradim e Luciana Azevedo já haviam morado em dois outros países antes de chegarem ao Canadá, em 2010. Saíram de Belo Horizonte em 2004 e passaram três anos na Venezuela e dois anos e meio na Austrália.

Foi neste último que, ao tornar-se mãe, Luciana criou o Nicolando Por Aí – blog inspirado no nome do primogênito, que fala sobre a experiência da maternidade aliada à trajetória nômade do casal.

“Era a forma mais prática de atualizar a família e os amigos sobre nossa vida e a chegada do nosso filho. Em vez de escrever vários emails contanto tudo, escrevia de uma vez só no blog”, conta a blogueira.

Foi também em solo australiano que o casal deu entrada no processo de imigração canadense e trocou o calor desértico de Kalgoorlie pelo clima temperado de Vancouver – embora hoje vivam numa cidade a cerca de 70 km da ideia inicial (a entrevistada pediu para que o nome da cidade não fosse divulgado).

Dentre as razões da troca de um país por outro, destacam-se as oportunidades profissionais (British Columbia concentra muitas empresas de mineração) e uma maior proximidade ao Brasil. Embora admitindo uma generalização, também não admiravam muito os australianos: “agressivos e competitivos”. Some-se a isso a mais pura simpatia pelo Canadá.

“Não há um motivo lógico para termos saído da Austrália, apenas não nos identificamos tanto com o país”, confessa Rafael. “Além do mais, o Canadá é um país muito tolerante, ninguém te olha feio se você fala outra língua. Existe uma abertura a outras culturas.”

Com o visto nas mãos, Rafael comunicou ao chefe australiano que estava partindo. Por sorte, conseguiu no Canadá um trabalho na mesma multinacional onde trabalha desde os tempos da Venezuela.

Já Luciana, preocupada em conciliar a profissão com a maternidade, desistiu da geologia para se tornar ilustradora.

“Nossa renda caiu pela metade mas me sinto bem mais feliz fazendo o que faço agora. Antes, trabalhava doze horas por dia e era bem mais estressada. Já hoje, posso cuidar do meu filho e passar mais tempo perto da família”, conta.

Em seu blog, além de dar dicas maternas (por exemplo, como viajar de avião com filhos pequenos), Luciana relata as primeiras impressões com o novo país e também discorre um pouco sobre os lugares onde já estiveram. “Muitas das mães que acompanham o blog também moram no exterior”, afirma.

O contato inicial do casal com outros blogs que têm a imigração como tema ocorreu enquanto esperavam o visto que lhes permitiria viver no Canadá. “Quando estamos fora do país, ficamos isolados para interagir com outros que passam por experiências parecidas. Por isso os blogs são importantes”, constata a mãe.

Durante nossa conversa, Rafael lembra da dificuldade da recolocação profissional para um imigrante no Canadá. Como, em geral, um profissional brasileiro não é tão qualificado quando um canadense, a luta para conseguir um emprego na mesma área torna-se um desafio.

“Vemos muitos chegarem aqui e trabalharem em empregos que exigem menos qualificação. Eu, pessoalmente, consegui evitar isso não por meu mérito, mas por minha profissão ser bem valorizada”, diz ele.

Mesmo com a vida encaminhada no terceiro país onde são imigrantes, nenhum dos dois desconsidera a possibilidade de um dia voltar à pátria amada. “Não saímos do Brasil porque estávamos insatisfeitos com o país, mas por uma oportunidade profissional. Antes tínhamos mais vontade de voltar mas, por enquanto, decidimos ficar aqui para ter uma estabilidade”, concluem.