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Aventura Canadense

15/10/2011

Aventura Canadense, de Edmonton

Silvia Teles e Luciano Jordão se conheceram no curso de Informática da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, após a graduação, moraram em Brasília por dez anos.

Quando Luciano demonstrou sua vontade de emigrar para o Canadá, Silvia reagiu com um “Deus me livre!” – o frio lhe desanimava. Mas ao começar a pesquisar sobre o assunto, ela logo comprou a ideia. “Aí eu não tinha mais como desistir”, revela o marido.

Em 2007, o casal chegou a Edmonton (província de Alberta) com um filho de um ano e cinco meses; o segundo nasceria dali a dois anos. A cidade foi escolhida principalmente por conta da presença de amigos da UFPB que já estavam por lá – amigos com filhos.

Uma semana após o desembarque, Luciano já estava empregado. Silvia ficou ainda um tempo procurando creche e casa, mas pouco tempo após começar a procurar trabalho já estava no batente.

“O começo é muito complicado, pois ao chegar não temos trabalho, casa, carro, família, a comida é diferente, a língua não é a sua. Eu pensava ‘Meu Deus, o que a gente veio fazer aqui?’”, confessa a co-autora do blog Aventura Canadense, que divide os posts com o marido.

Lá é possível conferir as impressões de ambos sobre o mercado de trabalho para quem é da área de informática, sobre o sistema de saúde canadense e muitos outros tópicos relevantes a quem considera trocar um país pelo outro.

Ao enumerar as razões por ter entrado na blogsfera, além de mencionar a oportunidade de dar notícias para famílias e amigos, o casal conta que não achava nenhum blog de Edmonton durante as pesquisas sobre o local. “Daqui só sabíamos que era muito frio”, lembram.

Do tempo em que deram entrada no processo até a chegada ao Canadá, a pesquisa pela internet virou rotina para os dois.

“Os blogs são interessantes para ir acompanhando o progresso das pessoas que chegam. Quando voltávamos do trabalho a noite, íamos direto para a internet pesquisar sobre emprego, a cidade”, diz Silvia. “O que eu mais gostava era uma lista de discussão chamada Canada Immigration. Lá era possível ler todo o histórico das conversas e ter várias versões sobre um tema, diferentemente de um post onde uma pessoa dá só a visão dela.”

Dois anos após já estarem estabelecidos no Canadá, foram tirar férias no Brasil. Nesse período, Luciano foi chamado para um concurso público que havia prestado quando ainda estavam em Brasília.

Agilizaram então a volta ao país de origem. Primeiro iria Luciano. Silvia ficaria até o nascimento do segundo filho em solo canadense, o que lhe garantiria uma licença maternidade de um ano, e depois se juntaria ao marido. Chegaram a pôr a venda a casa onde moravam em Edmonton.

Mas quando assumiu o cargo no Ministério Público da União em Brasília, Luciano começou a reclamar da comida, do trânsito, do trabalho. Comparado ao Canadá, o Brasil já não parecia mais o mesmo.

Numa dessas suas idas e vindas para visitar a esposa, e após uma conversa séria sobre o destino da família, finalmente decidiram ficar.

“Ir embora não era tão fácil pois não tínhamos mais nada do que tínhamos antes no Brasil”, relata o analista de sistemas. “Conforme o tempo passa, as coisas vão ficando mais confortáveis.”

No final, Luciano conseguiu de volta o emprego que havia deixado para ir ao Brasil, e com um salário ainda melhor. “Quando cheguei aqui, percebi que não havia espaço para o improviso no Canadá, e não gostava disso. Hoje, já acho bom”, conclui Luciano, bem adaptado ao novo país.

Há pouco, a família entrou com um processo de cidadania canadense, que deve sair ainda este ano. Pelo visto, voltar para o Brasil agora só a passeio.