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Melhores momentos e balanço das entrevistas

26/11/2011

Até agora, Viver no Canadá publicou doze entrevistas com brasileiros que mantêm blogs sobre a imigração no Canadá.

Vamos relembrar os melhores momentos de cada conversa, com destaque para as frases mais marcantes até esta etapa:

New Home Canadá, de Adriana Jungues e Diego Costa
De Passo Fundo (RS) para Gatineau, Quebec

“A ideia inicial do blog era registrar nossa trajetória como uma memória eletrônica para no futuro podermos ler como um diário. Não pensava que seria escrito para outras pessoas”

“Hoje temos grandes amigos aqui que conhecemos através do blog. São cinco casais com quem falamos semanalmente”

Canadá Sem Limites, de Robson Cunha
De Recife (PE) para Calgary, Alberta

“Tem muita gente que chega aqui e muda completamente. Não querem mais saber do Brasil nem de brasileiros”

“A internet é a melhor amiga do imigrante”

Rapadura, Please!, de Alexei Aguiar
De Fortaleza (CE) para Quebec, Quebec

“Não aguentava mais os defeitos de comportamento de muitos brasileiros, que furam fila, ultrapassam no sinal vermelho e não respeitam os direitos dos outros”

Aventura Canadense, de Silvia Teles e Luciano Jordão
De João Pessoa (PB) para Edmonton, Alberta

“Quando cheguei aqui, percebi que não havia espaço para o improviso no Canadá, e não gostava disso. Hoje, já acho bom”

Nicolando por Aí, de Luciana Azevedo
De Belo Horizonte (MG) para Venezuela, de lá para Austrália e finalmente para Squamish, British Columbia

“Era a forma mais prática de atualizar a família e os amigos sobre nossa vida e a chegada do nosso filho. Em vez de escrever vários emails contanto tudo, escrevia de uma vez só no blog”

British Columbia 2010, de Cesar Salvater
De Goiânia (GO) para Naramara, British Columbia

“A sensação é de que fomos expulsos do Brasil”

O Canadá Me Quer, de Simone Soares
De Uberlândia (MG) para Nanaimo, British Columbia

“O fato de ter filhos facilita muito a integração na sociedade. Como não sou do tipo que puxa assunto, os outros pais vinham falar comigo quando nossas filhas brincavam e assim fui fazendo amizades”

“Hoje, emigrar é muito mais fácil porque dá para ver a família toda pela internet”

Neve Ao Chocolate, de Sandro Ferreira
De São Paulo (SP) para Gatineau, Quebec

“Não tem negrão que emigra? Eu não conhecia nenhum blog que falava com a linguagem de negrão. Queria saber como eram por aqui essas questões que não eram abordadas em nenhum dos blogs”

“É um conto de fadas. O Canadá busca a elite intelectual dos outros países mas  quando o profissional chega aqui vê que é diferente do que ouviu nas palestras. Por isso, o imigrante ideal não será necessariamente bem sucedido. É preciso que as pessoas que queiram vir saibam que terão que dar passos para trás e estejam dispostas a isso”

Well & Suzel no Canadá, de Wellington Gomes
De Brasília (DF) para Montreal, Quebec

“Não troco ganhar três vezes mais como ganhava no Brasil pelo que tenho aqui agora. Tenho muito menos stress profissional e muito mais qualidade de vida. Tenho horário para sair do trabalho”

“Um imigrante tem que voltar a ser criança, reaprender a andar, falar, comer, trabalhar, recomeçar”

Colorida Vida / Destino: Canadá, de Ana Paula Calabresi
Do Rio de Janeiro (RJ) para Vancouver, British Columbia

“A gente gostava de ler sobre o dia-a-dia de quem já estava aqui, a parte de procurar emprego, as dicas do que fazer em entrevistas, etc. Toda essa experiência compartilhada na internet é valiosíssima pra quem está buscando informações sobre o processo de imigração”

ReMiGaLu, de Renato Barros e Mildred Davim
De Fortaleza (CE) para Calgary, Alberta

“A gente abria os jornais e era desgraça, corrupção, violência. Cada capa de Veja era mais um motivo para gente sair”

“Estive no Brasil este ano e tive a certeza de que eu não volto mais”

There And Back Again, de Rossana Menezes
De Recife (PE) para Toronto, Ontario

“Os blogs de imigrantes podem ser extremamente úteis e podem destruir seus sonhos, pois alguns chegam aqui despreparados, não dão certo, se frustram e espalham pelos blogs suas experiências ruins, culpando o Canadá por isso. É preciso encontrar o meio termo e pescar as informações úteis para a sua caminhada”

***

Nas entrevistas realizadas, chamou especialmente a atenção o fato de que todos os imigrantes declararam não ter intenção de voltar ao Brasil. Cada um ao seu modo (uns mais enfáticos que outros) disseram não ter mais essa vontade.

Outro fato curioso foi perceber que por trás da história de cada blog há um casal, ou seja, ainda que apenas uma pessoa escreva, os blogs retratam a trajetória de duas pessoas que formaram uma família.

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Rapadura, Please! Rapadura, S’il Vous Plaît!

17/10/2011

Rapadura Please! Rapadura, S'il Vous Plaît!, de Quebec

O nome duplo do blog do cearense Alexei Aguiar remonta ao início de sua  decisão de emigar para a parte inglesa do Canadá.

Pensando na adaptação da esposa no novo país, consideraram ir para Vancouver e depois Toronto. Mas quando as dificuldades com o inglês se mostraram intransponíveis para ela, decidiram que estudar francês seria o melhor a fazer – e o nome do blog acabou se mantendo nos dois idiomas.

Durante uma dessas aulas, Alexei recebeu a tarefa de preparar e enviar um Curriculum Vitae para uma vaga real. Para sua surpresa, a candidatura sem compromisso foi selecionada para uma entrevista via skype.

Foi ter a conversa sem qualquer expectativa; apenas como oportunidade de praticar o idioma com um québécois nativo. “Meu francês era terrível”, relata. Poucos dias depois, recebia uma proposta de trabalho lhe oferecendo um salário bem maior do que esperava – a vaga era sua.

Desde então, Alexei vive com a esposa e os dois filhos em Québec, cidade que apressou sua chegada ao novo país, durante o inverno de 2010. “Até hoje eu agradeço ao professor”, afirma.

“Tínhamos um baita apartamento com piscina e empregada. Mas o trânsito de Fortaleza era insuportável e não aguentava mais os defeitos de comportamento de muitos brasileiros, que furam fila, ultrapassam no sinal vermelho e não respeitam os direitos dos outros”, desabafa o desenvolvedor de softwares, que antes de emigrar era empresário e havia sido assaltado cinco vezes com revólver e faca na cabeça.

“Me identifico muito com os canadenses, é como se eu tivesse nascido aqui e tivessem me levado para o Brasil”, diz.

Quando se ocupava em pesquisar sobre a ida da família ao Canadá, Alexei sentia falta de blogs que retratassem o cotidiano com mais detalhes. Por isso, criou seu próprio espaço.

“Eu tinha curiosidade para saber o que iria enfrentar e procurei fazer um blog sobre o que não encontrei, para embasar melhor as decisões de quem vem”, conta.

Lá no Rapadura, Please! dá para encontrar posts sobre tudo: imposto de renda, sistema de saúde canadense, financiamento para compra de um imóvel, vídeos mostrando como funciona o frio na prática, e uma série de temas que interessam a quem tem a disposição de se tornar um imigrante no Canadá.

Durante nossa conversa, Alexei discorre sobre sua teoria que contrapõe o “padrão de vida” brasileiro à tão citada “qualidade de vida” canadense – repetida à exaustão pelos imigrantes brasileiros, como uma espécie de mantra pró-Canadá.

“O brasileiro vive muito do consumismo que lhe é estimulado para ter uma baita casa, um carrão, e passa a vida inteira se matando, buscando o máximo possível de padrão de vida. Aqui, as pessoas não esquentam para isso, a ostentação às vezes é até mal vista. Os canadenses prezam mais ir viajar, fazer picnic, viver. Isso é qualidade de vida, e é o que é valioso. Em geral, os imigrantes não conseguem ter aqui o mesmo padrão de vida do Brasil, mas têm qualidade de vida. O importante não é ter a casa mas ter uma casa sem muros.”

Ouvindo o calmo pai de dois filhos, tudo parece perfeito por lá; mesmo o frio rigoroso, segundo ele, pode ser suportado. “Aqui, a picanha é bem mais barata. A gente compra água de coco e até rapadura”.

Nem precisava dizer, mas voltar para o Brasil – garante ele – só para visitas.

Aventura Canadense

15/10/2011

Aventura Canadense, de Edmonton

Silvia Teles e Luciano Jordão se conheceram no curso de Informática da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e, após a graduação, moraram em Brasília por dez anos.

Quando Luciano demonstrou sua vontade de emigrar para o Canadá, Silvia reagiu com um “Deus me livre!” – o frio lhe desanimava. Mas ao começar a pesquisar sobre o assunto, ela logo comprou a ideia. “Aí eu não tinha mais como desistir”, revela o marido.

Em 2007, o casal chegou a Edmonton (província de Alberta) com um filho de um ano e cinco meses; o segundo nasceria dali a dois anos. A cidade foi escolhida principalmente por conta da presença de amigos da UFPB que já estavam por lá – amigos com filhos.

Uma semana após o desembarque, Luciano já estava empregado. Silvia ficou ainda um tempo procurando creche e casa, mas pouco tempo após começar a procurar trabalho já estava no batente.

“O começo é muito complicado, pois ao chegar não temos trabalho, casa, carro, família, a comida é diferente, a língua não é a sua. Eu pensava ‘Meu Deus, o que a gente veio fazer aqui?’”, confessa a co-autora do blog Aventura Canadense, que divide os posts com o marido.

Lá é possível conferir as impressões de ambos sobre o mercado de trabalho para quem é da área de informática, sobre o sistema de saúde canadense e muitos outros tópicos relevantes a quem considera trocar um país pelo outro.

Ao enumerar as razões por ter entrado na blogsfera, além de mencionar a oportunidade de dar notícias para famílias e amigos, o casal conta que não achava nenhum blog de Edmonton durante as pesquisas sobre o local. “Daqui só sabíamos que era muito frio”, lembram.

Do tempo em que deram entrada no processo até a chegada ao Canadá, a pesquisa pela internet virou rotina para os dois.

“Os blogs são interessantes para ir acompanhando o progresso das pessoas que chegam. Quando voltávamos do trabalho a noite, íamos direto para a internet pesquisar sobre emprego, a cidade”, diz Silvia. “O que eu mais gostava era uma lista de discussão chamada Canada Immigration. Lá era possível ler todo o histórico das conversas e ter várias versões sobre um tema, diferentemente de um post onde uma pessoa dá só a visão dela.”

Dois anos após já estarem estabelecidos no Canadá, foram tirar férias no Brasil. Nesse período, Luciano foi chamado para um concurso público que havia prestado quando ainda estavam em Brasília.

Agilizaram então a volta ao país de origem. Primeiro iria Luciano. Silvia ficaria até o nascimento do segundo filho em solo canadense, o que lhe garantiria uma licença maternidade de um ano, e depois se juntaria ao marido. Chegaram a pôr a venda a casa onde moravam em Edmonton.

Mas quando assumiu o cargo no Ministério Público da União em Brasília, Luciano começou a reclamar da comida, do trânsito, do trabalho. Comparado ao Canadá, o Brasil já não parecia mais o mesmo.

Numa dessas suas idas e vindas para visitar a esposa, e após uma conversa séria sobre o destino da família, finalmente decidiram ficar.

“Ir embora não era tão fácil pois não tínhamos mais nada do que tínhamos antes no Brasil”, relata o analista de sistemas. “Conforme o tempo passa, as coisas vão ficando mais confortáveis.”

No final, Luciano conseguiu de volta o emprego que havia deixado para ir ao Brasil, e com um salário ainda melhor. “Quando cheguei aqui, percebi que não havia espaço para o improviso no Canadá, e não gostava disso. Hoje, já acho bom”, conclui Luciano, bem adaptado ao novo país.

Há pouco, a família entrou com um processo de cidadania canadense, que deve sair ainda este ano. Pelo visto, voltar para o Brasil agora só a passeio.

Nicolando Por Aí

04/10/2011

Nicolando Por Aí

Por conta do trabalho, os geólogos Rafael Gradim e Luciana Azevedo já haviam morado em dois outros países antes de chegarem ao Canadá, em 2010. Saíram de Belo Horizonte em 2004 e passaram três anos na Venezuela e dois anos e meio na Austrália.

Foi neste último que, ao tornar-se mãe, Luciana criou o Nicolando Por Aí – blog inspirado no nome do primogênito, que fala sobre a experiência da maternidade aliada à trajetória nômade do casal.

“Era a forma mais prática de atualizar a família e os amigos sobre nossa vida e a chegada do nosso filho. Em vez de escrever vários emails contanto tudo, escrevia de uma vez só no blog”, conta a blogueira.

Foi também em solo australiano que o casal deu entrada no processo de imigração canadense e trocou o calor desértico de Kalgoorlie pelo clima temperado de Vancouver – embora hoje vivam numa cidade a cerca de 70 km da ideia inicial (a entrevistada pediu para que o nome da cidade não fosse divulgado).

Dentre as razões da troca de um país por outro, destacam-se as oportunidades profissionais (British Columbia concentra muitas empresas de mineração) e uma maior proximidade ao Brasil. Embora admitindo uma generalização, também não admiravam muito os australianos: “agressivos e competitivos”. Some-se a isso a mais pura simpatia pelo Canadá.

“Não há um motivo lógico para termos saído da Austrália, apenas não nos identificamos tanto com o país”, confessa Rafael. “Além do mais, o Canadá é um país muito tolerante, ninguém te olha feio se você fala outra língua. Existe uma abertura a outras culturas.”

Com o visto nas mãos, Rafael comunicou ao chefe australiano que estava partindo. Por sorte, conseguiu no Canadá um trabalho na mesma multinacional onde trabalha desde os tempos da Venezuela.

Já Luciana, preocupada em conciliar a profissão com a maternidade, desistiu da geologia para se tornar ilustradora.

“Nossa renda caiu pela metade mas me sinto bem mais feliz fazendo o que faço agora. Antes, trabalhava doze horas por dia e era bem mais estressada. Já hoje, posso cuidar do meu filho e passar mais tempo perto da família”, conta.

Em seu blog, além de dar dicas maternas (por exemplo, como viajar de avião com filhos pequenos), Luciana relata as primeiras impressões com o novo país e também discorre um pouco sobre os lugares onde já estiveram. “Muitas das mães que acompanham o blog também moram no exterior”, afirma.

O contato inicial do casal com outros blogs que têm a imigração como tema ocorreu enquanto esperavam o visto que lhes permitiria viver no Canadá. “Quando estamos fora do país, ficamos isolados para interagir com outros que passam por experiências parecidas. Por isso os blogs são importantes”, constata a mãe.

Durante nossa conversa, Rafael lembra da dificuldade da recolocação profissional para um imigrante no Canadá. Como, em geral, um profissional brasileiro não é tão qualificado quando um canadense, a luta para conseguir um emprego na mesma área torna-se um desafio.

“Vemos muitos chegarem aqui e trabalharem em empregos que exigem menos qualificação. Eu, pessoalmente, consegui evitar isso não por meu mérito, mas por minha profissão ser bem valorizada”, diz ele.

Mesmo com a vida encaminhada no terceiro país onde são imigrantes, nenhum dos dois desconsidera a possibilidade de um dia voltar à pátria amada. “Não saímos do Brasil porque estávamos insatisfeitos com o país, mas por uma oportunidade profissional. Antes tínhamos mais vontade de voltar mas, por enquanto, decidimos ficar aqui para ter uma estabilidade”, concluem.

British Columbia 2010

27/09/2011

British Columbia 2010, de Naramata

Com a cunhada morando no Canadá, foi natural que César Salvater e a esposa escolhessem o país quando decidiram viver em outra pátria com as duas filhas (de 11 e 9 anos, na ocasião) – assim teriam o suporte necessário.

“A sensação é de que fomos expulsos do Brasil”, desabafa o administrador de empresas que abriu mão do bom emprego público como gestor de finanças e controle da Secretaria da Fazenda de Goiás e hoje mora em Naramata – cidadezinha de 2 mil habitantes localizada na província de British Columbia (a mesma da cunhada). Agora, César trabalha como atendente de uma loja de departamentos.

“Ainda não estou em minha área profissional, mas o que adiantava ganhar bem se morava numa casa com muro alto, cerca elétrica e minhas filhas não podiam ir até a padaria? Agora, minha sensação de segurança é imensa, minha casa fica aberta quando saímos e não trancamos a porta do carro.”

Contudo, por conta das poucas oportunidades de trabalho, do baixo salário atual e da falta de variedade em lazer que uma cidade pequena oferece, ele admite que não está no lugar certo. Seja como for, de olho na continuação da vida canadense onde seus sonhos possam ser amparados, não se vê mais em outro país.

“Voltar para o Brasil nunca passou pela minha cabeça. A decisão de vir para o Canadá foi acertada mas a escolha da cidade, não”, afirma o imigrante que agora mira em Calgary seu próximo destino. “É uma cidade com mais oportunidades. Além disso, os impostos e o custo de vida são mais baixos que na Columbia Britânica.”

Como muitos imigrantes com quem tenho conversado, César também menciona a palavra “recomeço” ao comentar sobre seu projeto de vida e o ritmo em que ele avança. Mesmo com a demora em conseguir algo no seu ramo, ele está convencido de que uma cidade canadense maior lhe abrirá mais portas.

“É muito importante que a pessoa tenha a humildade de entender que mesmo quando conseguir um emprego na sua área, não terá o que tinha no Brasil. Para conseguir, levará tempo”, analisa. “Por isso, é importante pesquisar bem sobre o mercado de trabalho e também os requisitos para exercer a profissão antes de vir para cá.”

Em tempo: planejamento e pesquisa são palavras que faz questão de repetir. Quando começou a se informar sobre a vida no Canadá, o goiano se daparou com inúmeros blogs de brasileiros que viviam por lá ou estavam se preparando para ir.

“Foi muito importante para entendermos como funciona a imigração. O pessoal que escreve se ajuda com informações, dúvidas e apoio em geral”, afirma o criador do British Columbia 2010, blog em que desde 2008 registra os passos da família.

“No começo, achei que ninguém fosse ler. A ideia era dividir um pouco da experiência. Hoje conto mais sobre nossa rotina e procuro colocar uma coisa que seja interessante para quem leia.”

Na internet, César expõe suas preocupações e conquistas – como, por exemplo, o fato da filha mais velha já não falar mais a língua materna; ou quando tomou a decisão de mudar de cidade. Da mesma forma, fornece informações: Mudanças na imigração é um post que enumera as novas profissões desejadas pelo governo – as mudanças têm ocorrido anualmente para os candidatos que optam pelo processo federal.

Ao dizer que a adaptação de toda a família foi a “melhor possível” no novo país, César ainda lembra como as diferenças culturais nunca deixam de surpreender.

“O que para gente é uma coisa boba, aqui é um escândalo. Por exemplo, se no meio de uma conversa você interrompe a pessoa com quem está falando. Aqui é uma tremenda falta de educação; é um crime mortal”, conclui. “Mas os canadenses são extremamente receptivos e prestativos.”

Há pouco mais de um ano vivendo como imigrante e esperançoso de se recolocar profissionalmente, César está convencido que fez a opção certa.

“Quando comecei a pesquisar sobre a imigração no Canadá, estranhei tudo parecer tão bom”, confessa o blogueiro, que não desanima com a mudança de rota de uma cidade para outra.

“Vir para o Canadá foi uma das melhores decisões que já tivemos”, arremata.

O Canadá Me Quer

21/09/2011

O Canadá Me Quer, de Nanaimo

Dois anos após darem início ao processo de imigração, o casal Simone Soares e Leonardo Nepomuceno chegavam em Vancouver com a filha de então dois anos.

Desembarcaram em um dia cinza típico da cidade que escolheram pelo “clima ameno” e foram acolhidos por outro casal de imigrantes brasileiros. Dez dias e muitas dicas depois, já estavam em sua própria casa, onde ficaram até o final de 2010.

Em Uberlândia, Leonardo e Simone davam aulas. Ele, de inglês; ela, de educação física. As perspectivas profissionais no Brasil não eram muito promissoras, mas logo se animaram ao saber que haviam portas abertas em outro lugar.

“Vamos olhar esse negócio do Canadá?”, sugeriu ao marido.

Entraram no site do consulado canadense e o resto é história. “No outro dia, já começamos a mexer nos papéis. Nem sabíamos que existiam os blogs”, confessa Simone.

Já cansado de dar aulas, Leonardo estava decidido a recomeçar. Tratou de arranjar um survival job assim que chegou e, graças especialmente a sua fluência na língua inglesa, já era trainee de uma empresa dois meses depois.

Uma promoção profissional seria o que lhes levaria até Nanaimo – cidade insular de British Columbia – onde estão até hoje, sem previsão de sair.

“Quando chegamos em Vancouver parecia que estávamos na China”, brinca Simone, admirada com a grande presença asiática na maior cidade da costa oeste canadense. “Agora eu moro no Canadá mesmo”.

Simone demorou um pouco mais a pegar no batente. Apesar de sua profissão não ser regulamentada, exigia-se um número de certificações e diplomas para que ela pudesse voltar a trabalhar por lá.

Nesse ínterim, aproveitou para ganhar mais confiança no inglês e cuidar da filha que crescia em uma nova cultura. “Criar uma criança aqui é muito mais fácil. Há segurança, opções de lazer, é barato e o governo ainda dá uma ajuda financeira”, diz a mãe.

“O fato de ter filhos facilita muito a integração na sociedade. Como não sou do tipo que puxa assunto, os outros pais vinham falar comigo quando nossas filhas brincavam e assim fui fazendo amizades.”

É de se notar o papel de uma criança filha de imigrantes no desenvolvimento de laços sociais para os pais. Aliás, foi assim que Simone chegou ao mundo dos blogs de brasileiros sobre a imigração no Canadá.

“Estava pesquisando sobre ‘criança deixando de usar fraldas’ e cai no blog da Ana, o Colorida Vida. Por ali, vi que ela morava em Vancouver e foi então que descobri a existência de toda uma blogsfera sobre o assunto.”

Hoje, ambas, além de blogueiras, são amigas. “Vi que as pessoas se ajudavam através dos blogs, mas àquela altura meu processo já estava no final”, lembra.

Com a descoberta de tantos blogs sobre a imigração no Canadá, Simone decidiu começar o seu próprio.

“Não me ajudaria em mais nada para ir ao Canadá, mas poderia me ajudar em conhecer pessoas que já estivessem aqui”, lembra a criadora do blog O Canadá Me Quer – iniciado pouco antes de chegar ao Canadá, em 2009.

Muitos são os posts sobre como é ser mãe no Canadá. Vale a pena conferir suas impressões sobre o primeiro ano da família como imigrantes e um post sobre algumas curiosidades daquele país.

Há dois meses, Simone voltou a trabalhar em sua área. E ainda que a confiança no inglês não esteja plena, parece já se sentir em casa. “Hoje, emigrar é muito mais fácil porque dá para ver a família toda pela internet”, diz a professora. “Aqui dá para fazer quase tudo o que se faz no Brasil, até feijoada. Só nunca vi Catupiry nem maracujá”.

Leonardo, por sua vez, vai muito bem, obrigado. Após ser promovido, tornou-se gerente da loja onde trabalha – um rápido crescimento profissional difícil de ser vislumbrado pelo casal no Brasil.

Encantados pelo tipo de vida que a família agora desfruta e pela boa adaptação coletiva, inclusive da filhinha de cinco anos recém completados, é difícil pensar que considerariam deixar um dia o novo lar.

“Não digo que nunca mais vou voltar para o Brasil”, pondera Simone. “Mas não faz parte dos meus planos”.

Neve ao Chocolate

13/09/2011

Neve Ao Chocolate, de Gatineau

Há pouco mais de um ano no Canadá, Sandro Ferreira decidiu mudar de vida no momento em que decidiu mudar de país. Preparou-se por três anos e meio até dar entrada no processo de imigração de Quebec em 2009 – decisão que tomou após assistir uma das palestras promovidas pelo escritório de imigração da província em São Paulo.

Formado em Direito e trabalhando na área tributária, resolveu iniciar uma segunda graduação que lhe permitisse ganhar pontos como candidato à imigrante.

Atuar como advogado não era uma opção a se considerar – ainda que a validação do diploma não fosse necessária, seria preciso refazer o curso, já que há uma distinção fundamental entre as bases das leis brasileiras (Direito Romano) e canadenses (Common Law).

“Em 2007 comecei a estudar Gestão de Negócios, uma das profissões com maior demanda por aqui. Queria ter a pontuação máxima nos quesitos formação profissional e empregabilidade para compensar minha deficiência no francês”, conta o rapaz que cresceu na periferia de São Paulo e hoje mora com a esposa em Gatineau – cidade que faz fronteira com a capital canadense, Ottawa.

A escolha pela nova profissão foi parte de uma minunciosa preparação onde cada passo era dado via internet. Ele passaria a prestar atenção nas demandas do mercado de trabalho canadense através de sites do governo e, paralelamente, desenvolveria uma rede de contatos com brasileiros que já estavam no Canadá através de seus blogs – especialmente aqueles que atuavam na nova área profissional que escolhia para si.

“A gente vai para ficar um mês passeando, mas se eu arrumar trabalho não volto”, propôs à esposa assim que estavam com o visto nas mãos. “Logo que cheguei, deixei as malas e passei o dia tirando todos os documentos. No dia seguinte fui procurar emprego e uma semana depois já estava trabalhando”, relembra.

Graças à dica de uma imigrante que trabalhava no balcão de informações do metrô de Montreal – cidade que foi “visitar” –, Sandro conseguia seu primeiro emprego canadense num centro de distribuição. Estava disposto a trabalhar não importasse em quê; tudo fazia parte de seu plano de vôo.

Dali a menos de um mês receberia a ligação de um amigo lhe oferecendo uma vaga em uma outra cidade para ser prestador de serviços – função que de fato queria para si e na qual está até hoje.

Negro, oriundo da periferia, Sandro sentia a falta de um blog que falasse de uma realidade mais próxima a sua.

“Não tem negrão que emigra? Eu não conhecia nenhum blog que falava com a linguagem de negrão. Queria saber como eram por aqui essas questões que não eram abordadas em nenhum dos blogs”, questiona o criador do blog Neve ao Chocolate. Ao explicar o nome, ele cai na gargalhada: “Dois pretinhos no país do gelo”.

Ao criar o blog em 2007, sua intenção era falar sobre imigração para quem não tivesse tantas oportunidades. “O perfil do imigrante brasileiro clássico é o cara de classe média alta que já tem pedigree. O jovem negro ou pobre no Brasil não tem oportunidades, perspectivas nem referências, por isso vive no conformismo. Se ele tem um pouco de incentivo, vai em frente”, afirma.

Sua vontade de emigrar por si só já demonstra um comprometimento pessoal de ir contra as estatísticas, fazendo a diferença.

“No Brasil, negro sempre foi a vítima clássica da violência e quando começa a escalar a pirâmide social é frequentemente confundido com artista ou jogador de futebol. Quando me casei e fui morar no Tatuapé (bairro paulistano de classe média), meus vizinhos ficavam surpresos quando eu dizia que era advogado”, lamenta ao constatar que é mais fácil ser negro no Canadá.

Em seu blog, Sandro aborda questões como o sistema de saúde canadense, conta algumas histórias engraçadas – como o dia em que se meteu por engano como tradutor em um processo na Justiça ou o dia em que sua esposa conversou em inglês com uma atendente de lanchonete – e comenta algumas dicas sobre como ser um profissional autônomo.

O blogueiro não esconde seu entusiasmo com o novo país mas ressalta a importância de saber a diferença entre o que é dito nas palestras promovidas pelo governo (que quer imigrantes) e a realidade.

“É um conto de fadas. O Canadá busca a elite intelectual dos outros países mas  quando o profissional chega aqui vê que é diferente do que ouviu nas palestras. Por isso, o imigrante ideal não será necessariamente bem sucedido. É preciso que as pessoas que queiram vir saibam que terão que dar passos para trás e estejam dispostas a isso”, diz.

Atualmente, Sandro é microempresário e presta consultoria no setor de telecomunicações. Parafraseando seu entusiasmo cristão, tem o emprego que pediu a Deus. “Hoje ganho menos do que ganhava como advogado no Brasil mas meu poder de compra é bem maior. Além disso, tenho flexibilidade, sou meu próprio patrão e gosto do que faço”, conclui.

Se ainda volta ao Brasil? Sua resposta não deixa dúvidas: “O Brasil pode ser o país do futuro, talvez para os meus netos, mas não para mim”.

Well & Suzel no Canadá

06/09/2011

Well & Suzel, de Montreal

Um amigo pedindo conselho sobre uma possível imigração para Quebec. Foi assim que o brasiliense Wellington Gomes começou a se inteirar do assunto. Pesquisou tanto que agora vive com a esposa e os dois filhos em Montreal, desde maio de 2008.

A primeira impressão da cidade não foi de amor à primeira vista; além do trânsito que lhe chamou atenção, inicialmente também achou o lugar sujo e feio. Mas como já havia uma possibilidade profissional em vista, levou apenas uma semana para conseguir um trabalho, onde ficou por um ano e um mês, até chegar a crise financeira que lhe custou seu primeiro emprego canadense.

No Brasil, Wellington tinha uma empresa de contabilidade que lhe garantia um bom rendimento e muita dor de cabeça. Hoje, atua na área de vendas de uma companhia canadense e, se ainda não tem a mesma situação financeira que tinha em seu país de origem, não parece estar nem um pouco arrependido da mudança.

“Não troco ganhar três vezes mais como ganhava no Brasil pelo que tenho aqui agora. Tenho muito menos stress profissional e muito mais qualidade de vida. Tenho horário para sair do trabalho”, diz aliviado o autor do blog Well & Suzel no Canadá, que hoje já vê beleza na cidade onde escolheu viver com a família.

O blog foi criado dois meses antes de sua chegada para documentar as etapas do processo e atualizar os amigos – inclusive aqueles que também queriam emigrar para o Canadá.

Em sua maioria, os posts mencionam assuntos pertinentes à vida do imigrante. “Comprando Casa” aborda tópicos como créditos, prestações e juros para quem deseja adquirir um imóvel por lá; “Nova Pontuação – Processo Quebec” atualiza a nova tabela de pontos para os que desejam emigrar para Quebec e iniciaram o processo após dezembro de 2010; “Imigração – Pra onde? – Adaptação” destaca alguns fatores que os candidatos à imigração devem estar atentos na hora de considerar a mudança de um país para outro.

Antes de sair do Brasil, a pesquisa foi uma importante etapa da preparação. Wellington ressalta que conferir a mesma informação em mais de um lugar é fundamental.

“Quando pesquisamos o que era bom ou não trazer, se era importante ou não morar perto de metrô, recebemos dicas do que não prestava aqui ou então de não nos preocuparmos com abertura de conta de banco, mas muitos davam dicas porque estavam emocionalmente afetados”, revela. “Os blogs me ajudaram muito para me informar, mas aprendi que era preciso ainda ver se as dicas eram verdadeiras”.

Para ele, a vitória de um imigrante depende de uma série de fatores. “A imigração não é para qualquer um. Vi brasileiros tendo muito sucesso e outros quebrando a cara a ponto de voltar ao Brasil com depressão profunda, então os blogs só ajudam com atalhos, pois experiência cada um vai ter uma diferente”, afirma. “Muita gente encara como uma possibilidade de melhoria de vida mas nem sempre é assim para todos”.

Em sua opinião, o maior desafio para um imigrante é estar preparado para dar passos para trás e ter várias cartas na manga, caso o plano inicial não dê certo.

“Um imigrante tem que voltar a ser criança, reaprender a andar, falar, comer, trabalhar, recomeçar”. Quando perguntado sobre o frio – um dos grandes temores de quem está emigrando para o Canadá – ele não titubeia: “Depois de três anos aqui, o frio é o menor dos meus problemas”.

Wellington chegou a ficar oito meses sem um trabalho formal, fazendo bicos e contando com o auxílio-desemprego a que teve direito por conta do seu primeiro trabalho. Mas graças a sua perseverança está em um emprego onde tem tudo para crescer profissionalmente. “Ainda estou me recolocando no mercado de trabalho a duras penas, mas está sendo bom para todos”, pondera o blogueiro.

Suzel Gomes – a esposa cujo nome também está no título do blog – trabalhava como bancária no Brasil e desempenha a mesma função no Canadá. Dedicou-se à francisação desde quando chegou e hoje já lida com os clientes falando francês com a mesma desenvoltura que em sua língua materna.

“A única coisa que nos faz muita falta são os amigos”, conclui o casal.

Recentemente, Wellington e a família deram entrada no pedido da tão sonhada cidadania canadense. Pelo jeito, podem estar até abertos a uma eventual mudança de cidade, mas, ao menos por enquanto, mudar de país parece uma ideia bem mais distante.

Colorida Vida / Destino: Canadá

14/08/2011

Destino: Canadá, de Vancouver

Em 2005, a carioca Ana Paula Calabresi e seu marido fizeram uma viagem a Vancouver. Encantaram-se tanto com o que viram que, na volta ao Brasil, resolveram pesquisar sobre o processo de imigração para o Canadá.

A ideia de proporcionar um futuro melhor para a filha de então dois anos lhes incentivou a pesquisar tudo o que podiam sobre o visto de residente permanente daquele país.

Um ano após terem dado entrada no processo de imigração já estavam com o visto nas mãos. A chegada em Vancouver, cidade onde estão há quatro anos e meio, foi definitiva. Deixaram a família, os amigos, a casa mobiliada e o país dispostos a não voltar mais.

“Foram quatro meses de pesquisa, arrumando os documentos, fazendo a prova do IELTS, preenchendo formulários”, lembra Ana Paula. “Nessa fase, descobri muitos blogs de imigrantes que já estavam no Canadá e achei a ideia super bacana. Resolvi criar um também para contar a nossa experiência”.

Como o universo dos blogs já lhe era familiar – ela trabalhava com desenvolvimento de sites no Brasil –, não demorou muito até criar os blogs Destino Canadá e Colorida Vida. Este último chama uma atenção especial pelo cuidado visual e está na ativa até hoje, como uma continuação natural do primeiro, que se dedicou exclusivamente ao processo de imigração do casal até agosto de 2007, seis meses depois de terem chegado ao Canadá.

Colorida Vida, de Vancouver

Sobre a diferença entre os dois blogs, ela explica: “No Colorida Vida escrevo sobre maternidade, o dia-a-dia no Canadá, curiosidades daqui, livros. No Destino Canadá, os posts mais comentados eram os que falavam de conquistas, como a chegada dos passaportes com os vistos ou quando conseguimos emprego, por exemplo”.

Um de seus posts do blog Colorida Vida relata os maiores desafios que enfrentaram no primeiro ano de imigração. Uma das maiores preocupações do casal foi conseguir o primeiro emprego:

“Eu demorei três meses pra conseguir um emprego. André [seu marido], quatro. Hoje parece pouco tempo. Mas quando se está só gastando e nada entrando na conta, você fica meio preocupado”, relata Ana Paula em um de seus posts. “Foram muitos momentos de choro, de angústia, de ansiedade. Fizemos cursinhos do governo sobre o mercado de trabalho daqui, mandamos diversos currículos e fizemos dezenas de entrevistas até a primeira porta ser aberta pra nós”.

A ideia de criar um blog para compartilhar sua experiência pessoal como imigrante brasileira no Canadá teve uma relação direta em como os blogs que lia na época da preparação, ainda no Brasil, lhe ajudava a se informar e a decidir pela imigração.

“Não é só entrar no site do Consulado canadense pra ver como é o processo”, conta a blogueira. “É saber de quem já passou por aquilo como é de verdade, as manhas, as dicas, os sentimentos, as frustrações. A gente gostava de ler sobre o dia-a-dia de quem já estava aqui, a parte de procurar emprego, as dicas do que fazer em entrevistas, etc. Toda essa experiência compartilhada na internet é valiosíssima pra quem está buscando informações sobre o processo de imigração”.

O exemplo de Ana Paula mostra também como a internet também ganha uma importância fundamental nos novos laços de amizades e nos grupos sociais que se desenvolvem entre os imigrantes de uma mesma nacionalidade dentro de um país onde todos são estrangeiros e, portanto, precisam estabelecer esses novos laços como parte da integração social.

“Todos os amigos que fizemos aqui são brasileiros e nos conhecemos através da internet”, revela. “Eu não tenho amizade com famílias que não sejam brasileiras ainda. É uma coisa que até quero, mas não tivemos a oportunidade”.

Hoje, Ana Paula, o marido e a filha estão no caminho de se tornarem cidadãos canadenses – o que deve acontecer já no próximo ano. “Quando a gente compara a vida que levava no Brasil e a que temos aqui não dá vontade de voltar”, confessa Ana Paula. Ao que tudo indica, o Canadá realmente lhes conquistou.

ReMiGaLu

03/06/2011

Remigalu, de Calgary

Ao se deparar com uma reportagem sobre brasileiros bem sucedidos no exterior, inclusive no Canadá, o potiguar Renato Barros perguntou à esposa o que ela achava da ideia.

“Topo!” – Era abril de 2006 e eles já haviam morado em diversas cidades brasileiras. A mudança para outra, ainda que fora do país, não assustava Mildred Davim. Nem mesmo a sua falta de domínio do inglês antes de chegarem com os dois filhos a Calgary, na provícia de Alberta, em novembro de 2007 – cerca de um ano e meio depois daquela leitura.

“O nosso processo foi diferente de muita gente. Não tinhamos um sonho. A ideia surgiu e eu acabei topando sem pensar muito”, revela a brasiliense que é, com o marido, co-autora do blog ReMiGaLu – o nome remete às iniciais do casal e seus filhos.

O blog estreiou após a compra das passagens, pouco antes do embarque, e foi criado para que o casal desse notícias às famílias. No entanto, como a maioria dos blogs do gênero, conquistou uma audiência cativa das pessoas que tinham em comum o interesse pela imigração no Canadá.

Dentre os tantos posts do ReMiGaLu, destacam-se “Para começar”, que conta bem o início de tudo, e “Saudade”, que chama a atenção pelo volume de comentários. “Dúvidas sobre Calgary” é um dos posts que mostram como o casal é atencioso com as perguntas dos leitores sobre a vida em Calgary.

Para se ter uma ideia de como ajudam no que podem, nos três anos e meio em que moram no Canadá, Renato e Mildred já abrigaram sete famílias de imigrantes brasileiros recém chegados. “Muitos nos falam que nunca fariam o mesmo, mas a gente acolhe como se fosse parte da nossa família”, conta Mildred que atualmente aguarda a oitava família que vai ajudar na chegada ao Canadá.

Renato e Mildred trabalham hoje no que querem, mas não viram nenhum problema em aceitar empregos de menor prestígio no início. Entre os trabalhos pelos quais passou, Mildred foi atendente de uma rede de cafés e trabalhou em uma escola para crianças, antes de se especializar em Design de Interiores na Universidade Mount Royal. Hoje ela atua como consultora na área.

Renato trabalhou nos primeiros meses como atendente de lanchonete e entregador de pizza. “O primeiro foi um erro, pois era um trabalho braçal full time e quando chegava em casa, não tinha energia para procurar um emprego onde queria. Mas após um mês e meio, fui entregar pizza. Aí foi ótimo, porque com um horário mais flexível tinha o dia livre para procurar um emprego na minha área”, conta ele, que hoje em dia trabalha como especialista em wireless em uma empresa canadense de telecomunicação.

Entre os motivos da saída do Brasil, o casal destaca a falta de uma cidadania plena. “A gente abria os jornais e era desgraça, corrupção, violência. Cada capa de Veja era mais um motivo para gente sair”, conta Renato.

Agora, completamente adaptados ao novo país onde escolheram criar os filhos – que se comunicam entre si em ingles, mas preservam a língua materna dentro de casa – não pensam mais em voltar para o Brasil, exceto para visitas. “Estive no Brasil este ano”, conclui Mildred, “e tive a certeza de que eu não volto mais”.