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Rapadura, Please! Rapadura, S’il Vous Plaît!

17/10/2011

Rapadura Please! Rapadura, S'il Vous Plaît!, de Quebec

O nome duplo do blog do cearense Alexei Aguiar remonta ao início de sua  decisão de emigar para a parte inglesa do Canadá.

Pensando na adaptação da esposa no novo país, consideraram ir para Vancouver e depois Toronto. Mas quando as dificuldades com o inglês se mostraram intransponíveis para ela, decidiram que estudar francês seria o melhor a fazer – e o nome do blog acabou se mantendo nos dois idiomas.

Durante uma dessas aulas, Alexei recebeu a tarefa de preparar e enviar um Curriculum Vitae para uma vaga real. Para sua surpresa, a candidatura sem compromisso foi selecionada para uma entrevista via skype.

Foi ter a conversa sem qualquer expectativa; apenas como oportunidade de praticar o idioma com um québécois nativo. “Meu francês era terrível”, relata. Poucos dias depois, recebia uma proposta de trabalho lhe oferecendo um salário bem maior do que esperava – a vaga era sua.

Desde então, Alexei vive com a esposa e os dois filhos em Québec, cidade que apressou sua chegada ao novo país, durante o inverno de 2010. “Até hoje eu agradeço ao professor”, afirma.

“Tínhamos um baita apartamento com piscina e empregada. Mas o trânsito de Fortaleza era insuportável e não aguentava mais os defeitos de comportamento de muitos brasileiros, que furam fila, ultrapassam no sinal vermelho e não respeitam os direitos dos outros”, desabafa o desenvolvedor de softwares, que antes de emigrar era empresário e havia sido assaltado cinco vezes com revólver e faca na cabeça.

“Me identifico muito com os canadenses, é como se eu tivesse nascido aqui e tivessem me levado para o Brasil”, diz.

Quando se ocupava em pesquisar sobre a ida da família ao Canadá, Alexei sentia falta de blogs que retratassem o cotidiano com mais detalhes. Por isso, criou seu próprio espaço.

“Eu tinha curiosidade para saber o que iria enfrentar e procurei fazer um blog sobre o que não encontrei, para embasar melhor as decisões de quem vem”, conta.

Lá no Rapadura, Please! dá para encontrar posts sobre tudo: imposto de renda, sistema de saúde canadense, financiamento para compra de um imóvel, vídeos mostrando como funciona o frio na prática, e uma série de temas que interessam a quem tem a disposição de se tornar um imigrante no Canadá.

Durante nossa conversa, Alexei discorre sobre sua teoria que contrapõe o “padrão de vida” brasileiro à tão citada “qualidade de vida” canadense – repetida à exaustão pelos imigrantes brasileiros, como uma espécie de mantra pró-Canadá.

“O brasileiro vive muito do consumismo que lhe é estimulado para ter uma baita casa, um carrão, e passa a vida inteira se matando, buscando o máximo possível de padrão de vida. Aqui, as pessoas não esquentam para isso, a ostentação às vezes é até mal vista. Os canadenses prezam mais ir viajar, fazer picnic, viver. Isso é qualidade de vida, e é o que é valioso. Em geral, os imigrantes não conseguem ter aqui o mesmo padrão de vida do Brasil, mas têm qualidade de vida. O importante não é ter a casa mas ter uma casa sem muros.”

Ouvindo o calmo pai de dois filhos, tudo parece perfeito por lá; mesmo o frio rigoroso, segundo ele, pode ser suportado. “Aqui, a picanha é bem mais barata. A gente compra água de coco e até rapadura”.

Nem precisava dizer, mas voltar para o Brasil – garante ele – só para visitas.