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British Columbia 2010

27/09/2011

British Columbia 2010, de Naramata

Com a cunhada morando no Canadá, foi natural que César Salvater e a esposa escolhessem o país quando decidiram viver em outra pátria com as duas filhas (de 11 e 9 anos, na ocasião) – assim teriam o suporte necessário.

“A sensação é de que fomos expulsos do Brasil”, desabafa o administrador de empresas que abriu mão do bom emprego público como gestor de finanças e controle da Secretaria da Fazenda de Goiás e hoje mora em Naramata – cidadezinha de 2 mil habitantes localizada na província de British Columbia (a mesma da cunhada). Agora, César trabalha como atendente de uma loja de departamentos.

“Ainda não estou em minha área profissional, mas o que adiantava ganhar bem se morava numa casa com muro alto, cerca elétrica e minhas filhas não podiam ir até a padaria? Agora, minha sensação de segurança é imensa, minha casa fica aberta quando saímos e não trancamos a porta do carro.”

Contudo, por conta das poucas oportunidades de trabalho, do baixo salário atual e da falta de variedade em lazer que uma cidade pequena oferece, ele admite que não está no lugar certo. Seja como for, de olho na continuação da vida canadense onde seus sonhos possam ser amparados, não se vê mais em outro país.

“Voltar para o Brasil nunca passou pela minha cabeça. A decisão de vir para o Canadá foi acertada mas a escolha da cidade, não”, afirma o imigrante que agora mira em Calgary seu próximo destino. “É uma cidade com mais oportunidades. Além disso, os impostos e o custo de vida são mais baixos que na Columbia Britânica.”

Como muitos imigrantes com quem tenho conversado, César também menciona a palavra “recomeço” ao comentar sobre seu projeto de vida e o ritmo em que ele avança. Mesmo com a demora em conseguir algo no seu ramo, ele está convencido de que uma cidade canadense maior lhe abrirá mais portas.

“É muito importante que a pessoa tenha a humildade de entender que mesmo quando conseguir um emprego na sua área, não terá o que tinha no Brasil. Para conseguir, levará tempo”, analisa. “Por isso, é importante pesquisar bem sobre o mercado de trabalho e também os requisitos para exercer a profissão antes de vir para cá.”

Em tempo: planejamento e pesquisa são palavras que faz questão de repetir. Quando começou a se informar sobre a vida no Canadá, o goiano se daparou com inúmeros blogs de brasileiros que viviam por lá ou estavam se preparando para ir.

“Foi muito importante para entendermos como funciona a imigração. O pessoal que escreve se ajuda com informações, dúvidas e apoio em geral”, afirma o criador do British Columbia 2010, blog em que desde 2008 registra os passos da família.

“No começo, achei que ninguém fosse ler. A ideia era dividir um pouco da experiência. Hoje conto mais sobre nossa rotina e procuro colocar uma coisa que seja interessante para quem leia.”

Na internet, César expõe suas preocupações e conquistas – como, por exemplo, o fato da filha mais velha já não falar mais a língua materna; ou quando tomou a decisão de mudar de cidade. Da mesma forma, fornece informações: Mudanças na imigração é um post que enumera as novas profissões desejadas pelo governo – as mudanças têm ocorrido anualmente para os candidatos que optam pelo processo federal.

Ao dizer que a adaptação de toda a família foi a “melhor possível” no novo país, César ainda lembra como as diferenças culturais nunca deixam de surpreender.

“O que para gente é uma coisa boba, aqui é um escândalo. Por exemplo, se no meio de uma conversa você interrompe a pessoa com quem está falando. Aqui é uma tremenda falta de educação; é um crime mortal”, conclui. “Mas os canadenses são extremamente receptivos e prestativos.”

Há pouco mais de um ano vivendo como imigrante e esperançoso de se recolocar profissionalmente, César está convencido que fez a opção certa.

“Quando comecei a pesquisar sobre a imigração no Canadá, estranhei tudo parecer tão bom”, confessa o blogueiro, que não desanima com a mudança de rota de uma cidade para outra.

“Vir para o Canadá foi uma das melhores decisões que já tivemos”, arremata.