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Well & Suzel no Canadá

06/09/2011

Well & Suzel, de Montreal

Um amigo pedindo conselho sobre uma possível imigração para Quebec. Foi assim que o brasiliense Wellington Gomes começou a se inteirar do assunto. Pesquisou tanto que agora vive com a esposa e os dois filhos em Montreal, desde maio de 2008.

A primeira impressão da cidade não foi de amor à primeira vista; além do trânsito que lhe chamou atenção, inicialmente também achou o lugar sujo e feio. Mas como já havia uma possibilidade profissional em vista, levou apenas uma semana para conseguir um trabalho, onde ficou por um ano e um mês, até chegar a crise financeira que lhe custou seu primeiro emprego canadense.

No Brasil, Wellington tinha uma empresa de contabilidade que lhe garantia um bom rendimento e muita dor de cabeça. Hoje, atua na área de vendas de uma companhia canadense e, se ainda não tem a mesma situação financeira que tinha em seu país de origem, não parece estar nem um pouco arrependido da mudança.

“Não troco ganhar três vezes mais como ganhava no Brasil pelo que tenho aqui agora. Tenho muito menos stress profissional e muito mais qualidade de vida. Tenho horário para sair do trabalho”, diz aliviado o autor do blog Well & Suzel no Canadá, que hoje já vê beleza na cidade onde escolheu viver com a família.

O blog foi criado dois meses antes de sua chegada para documentar as etapas do processo e atualizar os amigos – inclusive aqueles que também queriam emigrar para o Canadá.

Em sua maioria, os posts mencionam assuntos pertinentes à vida do imigrante. “Comprando Casa” aborda tópicos como créditos, prestações e juros para quem deseja adquirir um imóvel por lá; “Nova Pontuação – Processo Quebec” atualiza a nova tabela de pontos para os que desejam emigrar para Quebec e iniciaram o processo após dezembro de 2010; “Imigração – Pra onde? – Adaptação” destaca alguns fatores que os candidatos à imigração devem estar atentos na hora de considerar a mudança de um país para outro.

Antes de sair do Brasil, a pesquisa foi uma importante etapa da preparação. Wellington ressalta que conferir a mesma informação em mais de um lugar é fundamental.

“Quando pesquisamos o que era bom ou não trazer, se era importante ou não morar perto de metrô, recebemos dicas do que não prestava aqui ou então de não nos preocuparmos com abertura de conta de banco, mas muitos davam dicas porque estavam emocionalmente afetados”, revela. “Os blogs me ajudaram muito para me informar, mas aprendi que era preciso ainda ver se as dicas eram verdadeiras”.

Para ele, a vitória de um imigrante depende de uma série de fatores. “A imigração não é para qualquer um. Vi brasileiros tendo muito sucesso e outros quebrando a cara a ponto de voltar ao Brasil com depressão profunda, então os blogs só ajudam com atalhos, pois experiência cada um vai ter uma diferente”, afirma. “Muita gente encara como uma possibilidade de melhoria de vida mas nem sempre é assim para todos”.

Em sua opinião, o maior desafio para um imigrante é estar preparado para dar passos para trás e ter várias cartas na manga, caso o plano inicial não dê certo.

“Um imigrante tem que voltar a ser criança, reaprender a andar, falar, comer, trabalhar, recomeçar”. Quando perguntado sobre o frio – um dos grandes temores de quem está emigrando para o Canadá – ele não titubeia: “Depois de três anos aqui, o frio é o menor dos meus problemas”.

Wellington chegou a ficar oito meses sem um trabalho formal, fazendo bicos e contando com o auxílio-desemprego a que teve direito por conta do seu primeiro trabalho. Mas graças a sua perseverança está em um emprego onde tem tudo para crescer profissionalmente. “Ainda estou me recolocando no mercado de trabalho a duras penas, mas está sendo bom para todos”, pondera o blogueiro.

Suzel Gomes – a esposa cujo nome também está no título do blog – trabalhava como bancária no Brasil e desempenha a mesma função no Canadá. Dedicou-se à francisação desde quando chegou e hoje já lida com os clientes falando francês com a mesma desenvoltura que em sua língua materna.

“A única coisa que nos faz muita falta são os amigos”, conclui o casal.

Recentemente, Wellington e a família deram entrada no pedido da tão sonhada cidadania canadense. Pelo jeito, podem estar até abertos a uma eventual mudança de cidade, mas, ao menos por enquanto, mudar de país parece uma ideia bem mais distante.

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